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Brechós Ganham Status em Brusque e Garantem Economia de Famílias

A constante mudança da moda, o resgate de tendências, o preço atrativo, a durabilidade dos produtos e a diversificação do público. Apenas cinco de vários motivos que tornam os brechós um tipo de empreendimento atrativo, tanto para lojistas, quanto para consumidores. Em Brusque, esse tipo de negócio faz sucesso e atrai jovens, adultos e idosos de várias classes sociais que buscam em seus garimpos aquela peça exclusiva de marcas famosas ou - porque não? - totalmente desconhecidas.

Edilene Knabben conta que a descoberta de um câncer no ano de 2016 a fez mudar de carreira. Antes corretora de imóveis, a mulher, agora aposentada, é dona do Brechó da Di, lojinha situada na Rua Victor Meirelles, Bairro Santa Rita. O começo foi difícil. Ela teve de contar com várias doações de vizinhos e conhecidos que lhe ajudaram a levantar fundos para o tratamento de sua doença. Com o passar dos meses, a empreendedora foi guardando uma graninha aqui, outra ali, até que conseguiu transformar a sua casa no lugar de seu ganha pão. “Está muito bom. Eu fiz propaganda na rua com carro de som, mas não deu muito retorno. Mas no boca a boca, um falando pro outro, eu consegui clientes assíduos, tá? (...) eu sou bem maleável nos preços. Comprou bastante, eu dou brinde, tem cartão fidelidade. Não pode pagar um preço, vai por menos”, conta.

No Brechó da Di, todos os públicos são atendidos: masculino, feminino e infantil, de todas as idades. Além das roupas, lá é possível encontrar acessórios, biquínis, cachecóis e calçados, muitos deles de grife, com preços incomparáveis. Para montar o seu estoque, Di recebe, atualmente, várias pessoas em sua loja. Dependendo do estado de conservação das peças, ela oferece um valor para a aquisição e posterior revenda dos produtos usados. As que possuem algum tipo de falha vão para o setor de bazar, onde são vendidas por preços que variam de R$ 2 a R$ 5. É possível, ainda, efetuar a troca por outros vestuários, se for de interesse do cliente. Porém, esse procedimento só pode ser efetuado por roupas da mesma estação e estado de conservação. Senão, não é justo, né?

“Acho que tem mais de cinco mil produtos aqui dentro. Nem tem mais como contar. Geralmente quem vem pra vender ou trocar, acaba comprando alguma coisa, é incrível (...) as vezes a pessoa traz uma peça impecável e pede um preço, eu pago esse preço, nem que for pra ganhar R$ 5, mas eu vou ter uma peça top pra agradar minha clientela (...) o que vem de doação e é de marca eu poderia até ‘meter a faca’, mas não, eu faço mais barato”, ressalta a empresária de 53 anos de idade, que já chegou a comercializar um sobretudo avaliado em R$ 400, por apenas R$ 100.

O desemprego, visto por muitos como o fim da linha, foi o impulso para Aline Eberle, de 34 anos de idade, tomar a decisão de empreender. Proprietária do Brechó Passado Moderno, situado na Rua Santos Dumont, Bairro Santa Terezinha, para ela, esta modalidade de negócio faz sucesso por causa da combinação do bom preço com a boa qualidade. Eberle explica que um produto de brechó, muitas vezes, pode ter muito mais qualidade de que uma peça de grandes séries. Além disso, de acordo com o que nos explica a empreendedora, já passou o tempo onde tais lojas eram vistas apenas como opção para pessoas de baixa renda. “Uma calça, um blazer, um casaco de qualidade de alguém que o usou por 10 anos, e ele está em bom estado, é sinal de que ele é bom. É por isso que o brechó é aceito. Além disso, a economia está difícil pra todo mundo. É uma compra inteligente. Em grandes centros, até artistas de Hollywood usam os brechós. É como se fossem carros: você tem a opção de comprar na garagem, zero quilômetro, ou tem a opção de comprar um usado”, avalia Aline que aproveita para passar uma dica valiosa para os garimpeiros de roupas: vão sem pressa. Ir em um brechó é uma atividade que requer certa paciência. Afinal, aquela peça exclusiva, que tem a sua cara, o seu jeito e o seu estilo, pode estar na última arara, no último corredor da loja.

Além de tudo o que já foi dito, você sabia que comprar em brechó pode ser inteligente, ecológico e consciente? Imagine que você precise ir em um casamento e tenha de comprar aquele terno super caro que irá ser utilizado apenas uma vez. Ora, não seria de mais valia procurar uma peça atemporal, de boa qualidade e com um preço menor? Afinal, peça sustentável é aquela que já existe… E merece uma segunda chance. “A gente espera que essa cultura fique mais forte em Brusque, porque nos grandes pólos já é forte. Brusque talvez não tenha essa cultura consolidada, mas está aprendendo”, complementa Eberle.

Na Rua João XXIII, Bairro Primeiro de Maio, você encontra mais um dos vários brechós existentes no município de Brusque. Trata-se do Brechó e Lojinha da Mis, de propriedade da empresária Mislene Antunes Testoni, de 39 anos de idade. Ela nos conta que vende muito bem, principalmente para o público que vem garimpar peças exclusivas, que muitas vezes podem ser customizadas. “São peças de marca, boas, que os clientes acabam comprando e fazem as modificações, de acordo com a sua imaginação”, comenta.

Como sempre trabalhou em comércio e ama vendas, Mis, como é conhecida a proprietária da loja, decidiu apostar e abrir o seu próprio negócio. Parte do sucesso conquistado com o seu bazar, confidencia Testoni, foi conquistado ao tratar os outros brechós como parceiros e não como concorrentes. “É um cantinho bem humilde, bem simples, mas as peças são bem limpinhas. Eu amo o que eu faço”, conta. Agora, quer saber mesmo de um negócio que vai impressionar? Então, chega mais. Você sabia que a empreendedora é administradora de um grupo no Facebook (com o mesmo nome da loja) com mais de 8,5 mil integrantes? É lá que ela expõe suas roupas a venda. Como diferencial, após as encomendas aparecerem, a mulher efetua entregas de peças a domicílio. É claro que ela cobra uma taxinha adicional. E não é por menos: durante o período das entregas, a loja fica fechada. Sem contar os custos com gasolina, pneus, entre outros.

Quem também se utiliza das ferramentas digitais e consegue resultados com isso é a proprietária do Brechó Linda Mulher, Marlene Honisko Cesari, de 30 anos de idade. Apesar de manter um empreendimento físico na Rua Adriano Schaefer, defronte ao Beto Chaveiros, bem no coração de Brusque, é pelo grupo no Facebook, com mais de 2,5 mil membros, que Marlene mantém informados os seus potenciais clientes. No seu caso, foi uma forma de retornar ao mercado de trabalho após o nascimento de seu filho, ainda tendo-o por perto.

“As pessoas têm uma ótima aceitação. Elas olham minhas publicações e depois pedem para olhar as peças. Apesar de ser um brechó, as pessoas querem peças selecionadas. Sem defeitos, com qualidade e bom preço”, frisa. Para Cesari, mesmo se tratando de um brechó, vendas estão sendo realizadas para clientes igualmente exigentes. Portanto, todo cuidado é pouco na hora de adquirir as peças compradas e consignadas. “Acredito que 70% das pessoas venham pelo preço e 30% pelas peças diferenciadas que disponibilizamos”, complementa.

A busca por novos ares, nova profissão, nova fonte de renda, foi o que bastou para Mirella Rosa Chispita, do Bairro Santa Rita, decidir abrir o Brechó Chispita. Após trabalhar como diarista por dois anos, a mulher começou a sofrer com uma tendinite em um dos braços. Obrigada a deixar a profissão, ela começou a cogitar novas possibilidades. Como já havia trabalhado por 10 anos no comércio, no fundo Mirella sempre desejou ter algo seu. Ela não imaginava, porém, que a resposta para seus problemas viria através de um sonho, onde se viu abrindo uma loja de roupas com o nome atual. E assim se fez. Após consolidar-se em Brusque, Chispita recebeu a proposta de adquirir mais um brechó. Como julgou não ser hora para tal decisão, ofereceu o negócio para sua irmão, que hoje também é dona de uma lojinha. O que para a empresária não é problema (lembra que falamos que a parceria é algo muito comum nesse meio?).

De métodos conservadores, ela só compra de quem vai até a loja. “Não compro em site, porque lá você nunca vê como a peça realmente está. Gosto de pegar na mão. Não compro nada sem botão, zíper ou, até mesmo, com uma manchinha”, diz Mirella, que busca sempre manter um bom padrão em suas peças de vestuário. Se tem algo que a empreendedora lamenta, é o preconceito que ainda existe, principalmente no público jovem. A mulher acredita que esta faixa etária está perdendo grandes oportunidades de acharem peças exclusivas e de alta qualidade. “Temos roupas de balada, peças lindas assim para usar a noite, mas ainda muita gente acha que os brechós são lugares de peças batidas, feias, mas quando entram aqui, elas se impressionam. A juventude devia procurar mais os brechós”, finaliza.

Se você até agora não era muito fã de segunda mão, aposto que já está começando a repensar, certo? Bom garimpo pra você!

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